segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
O Montinho de Palavras Amontoadas
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Irritações de Professor
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
A Psicologia da Personalidade em Persona, um filme de Ingmar Bergman
Ingmar Bergman
Ernst Ingmar Bergman nasceu em Uppsala, na Suécia, em 1918. Cresceu rodeado por um ambiente religioso e por uma educação rígida sintetizada pelo estrito código ético de seu pai, que era um pastor Luterano. Esses elementos, mais tarde viriam a influenciar fortemente em sua produção artística, fazendo desta um bom reflexo de sua personalidade, ou da construção da mesma; como por exemplo ocorre em Fanny e Alexander, de 1982, considerado o filme-testamento do diretor, que conta com traços da história de sua infância.
Primeiramente, Bergman estudou Literatura e Arte, em Estocolmo. Não completando esse curso, voltou sua atenção ao Teatro – campo em que trabalhou escrevendo roteiros e dirigindo atores -, e, só posteriormente, ao Cinema.
Os filmes de Bergman são marcados pela complexidade. Complexidade que se mostra de várias formas: tanto no desenvolvimento do enredo, abordando temas profundos e de forte apelo emocional, quanto à própria construção cinematográfica, que por não apresentar uma linha de raciocínio necessariamente lógica ou temporal, consegue confundir facilmente os olhos de expectadores mais destreinados.
Mesmo não tendo conseguido estabelecer em seu país uma tradição cinematográfica forte, Ingmar Bergman é um artista de peso mundial, com contribuições fantásticas para o Cinema Clássico.
É importante falarmos sobre algumas outras obras desse diretor para nos situarmos em sua produção cinematográfica, compreendendo seu estilo e conhecendo os temas que ele usualmente trata, e posteriormente podermos analisar Persona com mais propriedade.
O Sétimo Selo foi realizado em 1957 (e indicado ao Golden Palm, no mesmo ano) e é um marco na história do cinema pois trata de uma tema extremamente metafísico e humano, ao mesmo tempo: um diálogo com a morte. Com uma estética neo-expressionista – principalmente pela sua composição imagética escurecida – o se passa nos tempos medievais (elemento também presente em outros filmes do diretor, como por exemplo Noites de Circo) e tem como enredo a rapsódia de um homem em conflito, que encontra a morte, que o convida para um jogo de xadrez. Todo o filme é cunhado por um incrível peso existencialista e por uma interessantíssima densidade psicológica. Juntamente com Persona, Fanny e Alexander e Gritos e Sussurros, O Sétimo Selo é considerado uma das melhores produções de Bergman.
Outro filme que conta com uma boa dose de psicologismo é O Rosto, de 1958. Dessa vez, Bergman aborda o sobrenatural, tecendo uma teia com a arte, a cresça e o indivíduo, levantando perguntas ao expectador, como por exemplo um questionamento acerca dos limites da razão humana, ou da cresça humana nessa razão. Tudo isso é tratado com um enredo que conta a história de um mágico que chega com sua trupe à mansão de um homem, e lá, passa a iludi-lo. A trama do filme também trabalha com a idéia da nossa verdadeira face, da nossa verdade interior, aquela que escondemos sob máscaras, criando situações riquíssimas e de alto valor para a análise psicológica, com os personagens.
Um filme muito recente de Bergman que foi aclamado pela crítica é Gritos e Sussurros, de 1972, ano em que foi indicado à três Oscar, incluindo melhor diretor, melhor filme melhor roteiro. Dessa vez já com a película colorida, o diretor conta a história de irmãs de uma família nobre que têm suas vidas despedaçadas pelo sofrimento, trazido pela descomunicação entre elas, pela doença terminal de uma delas, e pelo opressivo ambiente formal em que vivem. Com toda cenografia criada em tons de vermelho-sangue, esse filme, consegue transmitir a dor daquelas personagens, a dor de desejos não satisfeitos, de pulsões não eliminadas, de vontades que não podem ser realizadas, mas sim oprimidas. Dor e opressão, ou melhor, gritos e sussurros.
Persona situa-se em uma confluência de significados, entre os quais se encontram a metalinguagem, a arte como representação, a noção de realidade, a individualidade. Contudo, acima de todos esses temas, a discussão acerca da psique humana domina o filme do começo ao fim.Bibi Andersson e Liv Ullmann, as atrizes preferidas de Ingmar Bergman, interpretam, respectivamente, Alma e Elizabeth Vogler. Elizabeth é uma atriz que surta durante a representação de Electra, e, a partir de então, se coloca em um estado de mudez absoluta. Ela é levada à uma clínica psiquiátrica para permanecer internada, onde conhece Alma, a enfermeira que a assiste. Percebendo que a internação não surte efeitos na condição de Vogler, sua médica sugere que ela e Alma se mudem para uma casa de praia. Então, é dado início a belíssimas seqüências dos monólogos de Alma, que, devido à mudez de Elizabeth, passa todo o tempo lhe contando suas histórias, apenas observando a expressão quase que imutável da outra.
A película mostra então a quebra desses papéis. Vogler larga sua máscara de paciente ouvinte e explode denunciando todos os seus próprios pecados, contando inclusive sobre uma orgia que participou e de um conseqüente aborto.
O embate entre as duas continua, Alma percebe que Elizabeth estava se divertindo ao ouvi-la se entregar com suas histórias todo aquele tempo em que permanecera em mudez. Alma se sente ofendida e usada, tratada como um objeto de experimento para a diversão de uma atriz muda. Então, Alma começa a denunciar todas as falhas e erros da personalidade e das ações de Vogler, como se a conhecesse há muito, mesmo a outra estando sempre muda.
O primeiro detalhe a ser tratado é quanto aos nomes presentes no filme. O primeiro deles é o próprio nome do filme, “persona”, que é o vocábulo que os gregos davam à máscara utilizada nos teatros antigos.
Bergman, ao escrever o roteiro, conhecia o significado da palavra latina Alma, o que mostra todo o detalhismo que o diretor trata sua obra, e deu esse nome à personagem de Bibi Anderson. Desse modo, qual o significado de darmos o nome Alma a uma personagem? Uma possível análise, responderia dizendo que essa personagem é a essência, o que pode ser visto pelos monólogos que ela faz durante todo o filme, tornando-a o motor principal das discussões que ocorrem na tela. Isso nos leva a uma idéia de auto reflexão, pois Alma sintetiza através de suas palavras seus sentimentos e vivências, um exercício fundamental e que leva o indivíduo a um conhecimento próprio, a trabalhar com a própria condição humana, com suas próprias características, com suas vontades, verdades, mentiras, dores e frustrações. Com isso, é curioso perceber a existência de uma troca de papéis, pois, a enfermeira se torna paciente – que é ouvida e avaliada por Vogler -, e a paciente se torna a médica analista.
É fundamental uma discussão sobre a personagem Vogler. A sua condição de atriz traz a história uma interessante reflexão acerca da arte. Ela cansou de atuar, ou seja, cansou de ser um não ser, e, por esse motivo, ela se impõe a mudez completa – algo que assassinaria, a priori, todo o lado de atriz que existisse em sua personalidade.
Mas não é isso que ocorre. O embate entre Alma e Elizabeth nos faz perceber que enquanto essa é atriz por profissão, aquela o é por vocação, por sua vida é atuar. Assim como gosta de pensar Bergman, a vida é uma atuação, é arte, ou seja, os limites da realidade com a ilusão, da verdade com a mentira, da criatura e do criador, são essencialmente tênues. Para comprovar a presença disso no enredo do filme, podemos muito bem tomar como exemplo as máscaras que ambas a personagens vestem, para esconder sua verdadeira face, o que todos fazemos, criando não só para os que nos vêem, mas também para nós mesmos, mentiras que se metamorfaseam em verdades indiscutíveis.
Podemos analisar Persona sob a luz da Teoria Jungiana. Como já dito, essa obra-prima de Bergman é um mergulho na psique humana, um levantamento de questões acerca da mente.
Lembremo-nos do significado da palavra “persona” para os gregos, ou seja, máscara. Dessa forma, persona é a máscara com a qual nos apresentamos ao mundo, ou seja, um complexo da personalidade.
A presença desse conceito no filme é bastante relevante. Elizabeth, na condição de atriz, se vê interpretando papéis e vivendo outras pessoas, outras personalidades. Isso causa um desgaste de sua persona, o que atinge seu ego e sua psique. Logo, quando ela se vê acuada e perdida, ela se emudece, se fecha em um mundo silencioso e introvertido.
O isolamento com Alma, que a acolhe e cuida dela, de nada adianta para a resolução desse problema. Vogler passa a nutrir-se da persona da enfermeira, como um fungo parasita. O ápice de toda essa dinâmica ocorre quando Elizabeth “engloba” Alma (em uma belíssima cena), momento em que percebemos que, apesar de toda a sua mudez, ela estivera sempre observando sua companheira muito atentamente, mais uma vez, como uma atriz analisando seu objeto de trabalho. Uma análise mais profunda indicaria que, a partir desse momento, existiria apenas uma pessoa, usando a mesma persona, fundidas.
Existem muitas interpretações da seqüência de abertura do filme, uma colagem modernista de imagens e sons, inclusive a psicanalítica, pois cada um pode atribuir um significado distinto ao que assiste, através de ferramentas, como, por exemplo, a livre associação de idéias.
Uma interessante interpretação é a que relaciona com o ciclo da vida. Nesse caso, o nascimento seria representado pelo inicio do funcionamento do projetor de cinema (o que coincide com toda a metalinguagem presente em outros elementos do filme). A extasiante imagem do garoto tocando o rosto de uma pessoa, na seqüência seguinte, representa muito bem uma metáfora para o encontro de uma identidade, pois no filme Bergman muitas vezes usa as mãos e o rosto com símbolos de identidade humana.
Algo que também deve ser ressaltado que geralmente passa despercebido é a escolha da médica de Vogler de mandá-la para uma casa de praia, privando a da internação em um sanatório. Essa decisão, fazendo um paralelo com a realidade atual, foi influenciada por um modo de pensar que é o mesmo que norteia a Reforma Psiquiátrica, movimento o qual tem ganho muita força e representatividade tanto no Brasil quanto no mundo.
Ao ver o estado psicoemocional de Elizabeth, a média deve ter ponderado acerca dos benefícios que a paciente teria se fosse deslocada para o convívio normal em uma casa de praia, valorizando e reintegração do individuo – no caso o paciente que surtou – à sociedade; exatamente como é feito com Vogler.
A análise cinematográfica se mostra extremamente rica quando consegue realizar a leitura completa de um filme, ou seja, quanto consegue ler o texto que se passa por debaixo de cada imagem exibida na tela branca.São muitos os filmes que possuem enredos dotados de temos ligados à psicologia. Poderiamos citar um clássico do Cinema Americano, Que terá acontecido com Baby Jane?, de Robert Aldrich, que aborda as motivações da rivalidade, a agressividade, os limites do amor em relações familiares, dentre outros temas.
Dessa forma, é extremamente importante salientar que a análise de Persona fundamenta-se, como já dito, na Psicologia, e com mais propriedade ainda, na Psicologia da Personalidade, por tratar não só de temas pertencentes a esse assunto, mas por tê-los como fundamentais para a dinâmica fílmica, tanto do enredo quanto da própria estética cinematográfica. Portanto, faz-se mister afirmar que para que o espectador possa realizar uma boa leitura do filme, para que ele possa realmente apreciar os detalhes e as sutilezas contidas em filmes do gênero de Persona, para que ele valorize cada nuance da obra, é necessário uma certa dose de análise psicológica.
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Cavernas sobre os olhos noturnos
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Antes do Sono Chegar
Atado, preso, espremido, comprimido, recluso, amarrado, atarraxado, aprisionado. Tolhido.
Preocupações, preocupações, preocupações.
Coisa indeFinidas, indefnIdas, indefiNidas.
Quero que passe.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Queria morar em uma locadora! Not!
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Ano e Tempo
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Em processo decisório
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Ódios extremos, adorações extremadas
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Metalinguagem
Pôs-se de pé. Lavou o rosto na água gelada da torneira gelada. Vestiu o roupão de linho. Passou o café, encheu uma xícara grade. De certa forma ele achava que esses três elementos combinavam: o frio, o roupão de linho e o café. Se postos todos os três em uma única caixa iluminada cinzentamente, claro.
Por mais que apreciasse esse modo de vida preguiçoso, ele estava cansado. Queria sair um pouco de casa, sentia que não agüentaria nem mais um dia com a caneta na mão escrevendo corridamente durante horas. Rorrim estava escrevendo um conto interminável. Interminável não em extensão, mas em prazo de escrita e consumo de seu tempo, e também em outros elementos. Escrevia muito, e apagava e rabiscava mais ainda o que havia escrito. Aquela tarefa se tornara fadigosa. E agora, justamente no dia em que ele resolvera reservar para tomar um pouco de sol, a situação conspirara contra ele, forçando-o a debruçar-se mais uma vez nos escritos amontoados pelo chão de mogno da sala. Não havia saída. É claro que ele poderia fazer outra coisa ao invés de voltar a escrever naquele dia, mas, justamente no momento em que ele procurou algo que pudesse substituir tal atividade, sentiu um enorme remorso em abandonar os papéis e decidiu dedicar-se, por mais exausto que estivesse, a eles.
Deitou-se no chão, que também estava gelado, e apanhou as folhas: era assim que ele gostava de escrever. Decidiu não reler tudo o que havia escrito até então, ao todo três paginas. Recapitulou apenas as últimas linhas e pôs-se a escrever.
Não conseguiu escrever nada. Olhava para o teto, para as fendas no mogno do assoalho, para a xícara de café, agora já vazia, para o ar invisível, mas não conseguia extrair de nada faísca que pudesse impulsioná-lo a retomar o conto. Sentiu-se sem energia alguma e totalmente indisposto a escrever naquele momento e decidiu recorrer a uma antiga técnica de relaxamento que não praticava há tempos: visitar o porão.
Levantou-se, definitivamente, e foi ao porão. Desceu as escadas de madeira semi-podre, devido à umidade do local, e olhou a sua volta. Adorava porões. Dirigiu-se a um amontoado de caixas de papelão, as quais nunca havia reparado naquele recinto. “Devem ser do antigo dono da casa.” Abriu-as. Em seu interior, havia muitos livros, o que o deixou contente. Um deles era um que ele havia lido há muito, sobre uma personagem chamada Dorian. “Idiota, ele... Como nunca percebeu que aquele quadro de quadro não tinha nada, era simplesmente um espelho! Muito idiota...”, comentou.
Contudo, o que mais lhe chamou a atenção foi um ramalhete de papéis. Parecia ser um conto. Ao ler o título, encabulou-se: “Metalinguagem”, o mesmo do conto que estava escrevendo. Estranhou. Correu de volta a sala, jogou-se no chão, colocando ambos contos lado a lado.
Iniciou a leitura do conto (que apenas se diferenciavam pelas cores das páginas, mais amarelas e, as do outro, mais alvas). A história narrava os fatos de um escritor que, ao cansar-se de escrever um conto, dirige-se ao porão e encontra, acidentalmente, um conto com o mesmo título – Metalinguagem – do que escrevia. Estranho. O enredo parecia referir-se ao próprio conto. Ora, esse era o tema da história! Havia mais: o conto ainda relatava a comparação e o estranhamento do autor ao comparar as histórias, que faziam referências a si mesmas. Estranho!
Agora não sabia mais diferenciar os contos: não sabia mais qual era o seu, qual era o achado no porão. Eram idênticos. Na verdade, possuíam uma diferença básica: a cor. Não julgue Rorrim por daltônico e muito menos idiota por não saber diferenciá-los com base nesse critério. O fato é que ele simplesmente não sabia qual dos dois era o seu justamente, pois, em ambas as narrativas havia um trecho que dizia exatamente assim: “[...] que apenas se diferenciavam pelas cores das páginas, mais amarelas e, as do outro, mais alvas.”, o que impedia com que ele soubesse se o de paginas brancas ou amarelas era o seu por falta de um especificador de referencial!
Rorrim se sentia perdido e com mil flechas apontando em direção a ele. Os arcos eram brandidos por ele mesmo, como se estivesse em frente a um espelho, olhando para si mesmo, em um labirinto labiríntico que dava voltas e terminava no mesmo lugar. E ele leu esse trecho na versão de páginas amarelas e achou interessante a construção “labirinto labiríntico”, um jogo de vocábulos que contribui para a construção de uma figura linguagem criativa, já que a própria idéia de labirinto é evocada na expressão formada. E, essa idéia é ainda mais valorizada se trabalhada em um conto cujo intuito principal é fazer com que o leitor se sinta em um labirinto. Opa, essas últimas assertivas são problemáticas: elas rompem com gênero desse texto, ele deixa de ser um conto passa a ser uma análise. É melhor apagá-las. Ou não? Deixá-las-ei aí, não as apagarei...
“Deixá-las-ei aí”, disse Rorrim, ao ler a versão branca do conto.
“Deixá-las-ei aí”, disse Rorrim, ao se ler na versão amarela do conto.
(Preocupação com a colocação pronominal é algo tão erudito!) Riu ao ler esse trecho em alguma das duas versões, não sabia qual.
Seus joelhos doíam por estarem a muito tempo sendo pressionados contra o chão duro de mogno. Hoje ele sabia que havia sido um erro não haver colocado carpetes macios por todo o chão da sala, se houvesse feito isso, seus joelhos não estariam doendo naquele momento. “Ao ler essa passagem de uma das duas versões, ele reparou que a palavra ‘erro’ havia sido escrita com a grafia errada e resolveu corrigir. Fez isso em ambas as versões. Odiava erros ortográficos”.
Rorrim decidiu fazer algo que não estivesse na narrativa. Queria dar uma de espertinho, de romper com a metalinguagem. Mas o que poderia fazer para conseguir isso? “pensou.” Já sei: vou tentar romper com a metalinguagem! Duvido que isso esteja narrado aí! “... Será?”, levou o dedinho à boca.
Seu próprio ato já fornecia respostas para sua dúvida. Às vezes, escrever é vigiar.
E, lembrando-se da definição tosca do gênero literário “Conto” que uma professorinha de primário ensinou-lhe (uma narrativa curta e blá, blá...), pegou a versão amarela e leu o seguinte trecho: “E, lembrando-se da definição tosca do gênero literário “Conto” que uma professorinha de primário ensinou-lhe (uma narrativa curta e blá, blá...), pegou a versão amarela e leu o seguinte trecho...”
De olhos arregalados, ele atirou o conto amarelo ao chão, assustado.
“Rorrim percebeu, ao ler esse exato trecho nessa versão branca do conto, que todos os fatos narrados aqui refletiam simplesmente os fatos que estavam se passando em seu dia! Desde o momento em que acordara! Ele era o personagem daqueles enredos que lia e que escrevia.”
Enraivou-se e rasgou todas as folhas que estavam a sua frente. Não havia mais contos agora. No entanto, por que essa metalinguagem alucinante continuava e continuou?
Na verdade, ainda existia uma versão do conto recontando a um leitor escritor, ou a um escritor leitor, os fatos renarrados da narrativa. Não é? É. E é por isso que o conto que Rorrim escreve é interminável.
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sábado, 29 de dezembro de 2007
Mergulhando
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Calvinando
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Saraivando
Querido dsiário, [adoro curtir com gêneros literários! haha!]
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Aviso
"Gentse, como assim vocês ainda não perceberam que a nova música da Britney, Gimme More, é sobre drogas???"
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Ruta no Ra
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Pânico na Sala de Aula
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Melodias de Vida
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Discussão acerca da existência de uma natureza humana e a importância da deliberação frente às suas problemáticas
A discussão acerca da existência de uma natureza humana, que proporcionaria ao homem direitos inalienáveis, é inútil. No entanto, visto que existe uma percepção intra-social realizada pelos indivíduos acerca de direitos inalienáveis, feita através do contato destes com sua cultura e com suas ideologias, sejam eles válidos ou não, deve-se considerar tanto a sua função na sociedade quanto a possibilidade de formulação desses direitos inerentes à uma suposta "natureza humana" que forçariam ações individuais e sociais. A problemática inserida nisso é não só o reconhecimento e legitimação desses diretos, mas também de avaliação dos mesmos. Por isso, em termos normativos, deve-se investir em políticas de deliberação com o fim de propiciar discussões que visem alcançar e definir consensualmente, sendo isso possível ou não, quais são esses direitos que os membros da sociedade enxergam através da sua lente cultural-ideológica.
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A Monografia
16h50, minha casa:
lyanna (clack!) - www.waltzforanight.blogspot.com diz:que isso?a modernidade, que me fez o favor de acabar com os heterosvai ser minha monografia."A modernidade e a morte do cromossomo y"
pi diz:kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk mas tem que ser na area de letras, entao o tema tem que ser esse: "A relação entre a linguistica aplicada da modernidade e o cromossomo y"
lyanna (clack!) - www.waltzforanight.blogspot.com diz:"e a morte do cromossomo". tenho que falar que ele morreusenão vão achar que escrevi sobre ele. daí fica sem créditos. ah não
pi diz:nao, lý. é pq vai ser uma dissertação literária, vc só vai contar que o cromossomo y morreu no final, NO CLIMAX!!! ai as leitoras choram. senao forem feministas, claro.
lyanna (clack!) - www.waltzforanight.blogspot.com diz:HSAUihsaiushaiusaHiUAShsaUIhSAeu vou chorar escrevendoah não, gente. ah não, pi!
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Aquela que devia ter comido o próprio cérebro
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