sábado, 31 de janeiro de 2009

Solidão

Acho que nunca me senti tão mal por estar só. Eu que sempre apreciei a solidão.

Nada vai estragar. Nada.

6 comentários:

Cazarim de Beauvoir disse...

lembra do meu comentário sobre a crise americana? pois é, crises têm esse poder quase curativo, ao menos para mim. mais que isso, são exercícios de saúde. quanto à solidão, talvez o que você tenha dito sobre o 'nada vai estragar' não seja mais que a grande crise e, por isso mesmo, a grande salvação. talvez nada possa estragar a solidão, e nem deveria fazê-lo. é difícil esse atingimento de si mesmo. difícil triplamente visto que o caminho (I) é longo e é necessário desapego do que não é eu, além de (II) haver o (encontro com a) estranheza e o (III) risco de se confundir o estar-a-sós com solipsismo. creia-me: os gregos sabiam bem o que o encontro com o terrível poderia trazer à tona, e por isso o perseguiam incansavelmente nas tradédias. isso antes daquele imbecil (= sócrates) solapar a tragédia e inventar a dialética que, elas mesmas, não têm nada de imbecil. mas ainda quero te dar um trecho, talvez para não perder o hábito acadêmico de falar por citações, talvez por vontade de mostrar que este estar-a-sós acontece a todos, ou poderia acontecer, e nos liberta para (sem nos livrar de) uma vida-com-outrem, ou/e provavelmente para te mostrar ainda como essa experiência com a solidão é partilhada e partilhável. entre outras inúmeras razões. (segue no segundo comentário)

Cazarim de Beauvoir disse...

(errata do comentário anterior: leia-se 'tragédias' em vez de 'tradédias'.)

"A angústia não é somente angústia com... mas, enquanto disposição, é tabém angústia por... O por quê a angústia se angustia não é um modo determinado. de ser e de possibilidade da presença*. A própria ameaça é indeterminada, não chegando, portanto, a penetrar como ameaça neste ou naquele poder-ser faticamente concreto. A angústia se angustia pelo próprio ser-no-mundo. Na angústia perde-se o que se encontra à mão no mundo circundante [...]. O 'mundo' não é mais capaz de oferecer alguma coisa, nem sequer a co-presença dos outros. A angústia retira, pois, da presença a possibilidade de, na decadência, compreender a si mesma a partir do 'mundo' e da interpretação pública. Ela remete a presença para aquilo por que a angústia se angustia, para o seu poder-ser-no-mundo. A angústia singulariza a presença em seu próprio ser-no-mundo que, em compreendendo, se projeto essencialmente para possibilidades. Naquilo por que se angustia, a angústia abre a presença como ser possível e, na verdade, como aquilo que a partir de si mesmo, pode singularizar-se na singularidade.

Na presença, a angústia revela o ser para o poder-ser mais próprio, ou seja, o ser-livre para a liberdade de escolher e acolher a si mesma. A angústia arrasta a presença para o ser-livre para... [...], para a propriedade de seu ser enquanto possibilidade de ser aquilo que já sempre é. A presença como ser-no-mundo entrega-se, ao mesmo tempo, à responsabilidade desse ser."

Martin Heidegger, "Ser e Tempo", p. 254 (vol. único).

* opção da tradutora para Dasein, normalmente traduzido por ser-aí ou, em textos de outros autores (Kant, por exemplo), por existência. Hiedegger refuta a compreensão de Dasein como ser-humano, ainda que apenas o homem exista no modo próprio que é chamado Dasein. (aliás, em sentido estrito, apenas o homem existe, coisa que Heidegger explica melhor em outro lugar. posso achar a citação depois se te interessar.)

Cazarim de Beauvoir disse...

errata II: "estranheza" foi pensado inicialmente como "estranhamento", por isso da discordância de gêneros.

Cazarim de Beauvoir disse...

errata III (da citação): "se projeta" em vez de "se projeto".

Tati disse...

gente... kkkk
eu ia comentar, mas desisti.
kkkkkk

Cazarim de Beauvoir disse...

táti, me senti tão over agora... rs;