terça-feira, 25 de novembro de 2008

Do mundo e suas amarras

It doesn't touch me at all
It doesn't touch me at all
Wendy Time, The Cure


De repente, vem a mente uma certa amargura mesclada com certo arrependimento pre factoum consumum, de apenas pensar, o que estou fazendo com a minha juventude? Tenho inveja - nada corrosiva - quando vejo essas pessoas livres, que conseguem se desprender de seus compromissos - as atas mais visíveis que unem pessoas ao mundo - e se jogarem no mundo de outras formas. Aproveitarem a libertade, que prezo tanto, de uma maneira corajosa. É a porra dessas amarras dos compromissos e planos que vamos assumindo, que vamos construindo, que acabam por obstruir quaisquer outras possibilidades, vislumbres, vontades que dispersem nossa energia do caminho que escolhemos. É a amarra que vira forca, enforcando-nos com a corda do arrependimento.

E o pior é pensar que, daqui a uns vinte anos, a serenidade nos atingirá e que talvez não sentiremos pesar algum por isso que desperdiçamos. Talvez isso aconteça.

Quero trancar minha faculdade, deixar de lado todos os meu projetos atuais, adormecer meu curriculum, comprar uma passagem para qualquer lugar do mundo e despertar perdido em qualquer canto, longe de todo mundo, sozinho, andando, correndo nesse mundo, fugindo disso tudo que oprime a possibilidade da coragem vir a ser o meu principal tipo-ideal.

16 comentários:

dora disse...

há exatamente dois dias tive uma vontade louca de pegar minhas economias, pedir um dinheirinho pra mãe, e ir pra Budapeste. Que mané casa nova, vou ficar por lá sozinha, em paz, conhecer um húngaro bem foda... sério, e isso foi se tornando tão sólido na minha cabeça....eu estava quase indo. aí veio aquele baque "fala sério, você tem mil coisas pra fazer", e tenho pensado em não cometer loucuras.

Cazarim de Beauvoir disse...

bem, o que é que você entende por liberdade?

beto,,, disse...

é, eu nunca me identifiquei tanto com vc, eu acho

beto,,, disse...

e achei bem explícito o que vc entendeu por liberdade nesse post, hehehe

Tati disse...

Eu tb.
E acho que todos nos identificamos, até eu, até eu...

Felipe Baptista disse...

Cazarim, acho que excelente fonte para você tirar esses tipos de dúvidas é a Wikipedia. Ela vai suprir todas as suas necessidades e reesponder todos os questionamentos que você costuma fazer. Beijos, Pi.

Cazarim de Beauvoir disse...

eu não faço questionamentos vazios em público.
beijos, cazarim.

Cazarim de Beauvoir disse...

e se pergunto é porque a minha experiência de liberdade é muito diferente e porque me interesso por aquilo que as pessoas que estão ao meu redor e que considero próximas pensam e sentem. eu sempre disse que o entendimento nem sempre é possível, mas isso não me impede de tentar encontrá-lo.

Cazarim de Beauvoir disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cazarim de Beauvoir disse...

"Son joyeux, importun, d’un clavecin sonore." - Pétrus Borel

Felipe Baptista disse...

"eu sempre disse que o entendimento nem sempre é possível, mas isso não me impede de tentar encontrá-lo." o lance é que o entendimento que você pretende encontrar está na frente do seu nariz. Ou seja, como o Beto disse, o conceito de liberdade que EU abordo no post está claro!
Parece mais que você, ao invés de dizer que quer encontrar um entendimento - que crê possível - parece embaralhá-lo quando ele jáz nas suas mãos. Aí dificulta tudo. Cazarim, às vezes as coisas são bem simples.
Beijos, Pi.

ps.: A intenção era que meu comentário fosse estúpido mesmo. Fica tranqüilo.

Cazarim de Beauvoir disse...

é, quando eu exponho claramente o que entendo (o caso típico é o posto sobre poder), aos outros parece embaralhado.

eu não uso o descompasso e uma certa miopia minha como modos de me isolar, mas sim de me aproximar, da maneira como posso, dos outros.

e ainda insisto que ninguém ainda entende que o que é sonoro para algumas pessoas me parece um silêncio abissal. eu não entendo a não ser como jogo de palavras essa idéia de liberdade como abandono e fuga. eu não entendo isso na carne da minha existência. se pergunto, é porque, sim, vejo tudo isso como uma névoa para mim. mas de nenhum modo me recuso a tentar ouvir. até mesmo a constatação do silêncio provém dessa tentativa. no entanto, você tem o direito de se calar.

em resumo: pi, (já usando seu jargão) relativize.

Cazarim de Beauvoir disse...

'na frente do meu nariz'. bem, se você se contenta com a superfície do que é dito 'evidente'...

já a minha vida é sempre problematizada diante de si mesma; eu não me contento com aquilo que está simplesmente colocado: eu determino criativament possibilidades minhas de vir-a-ser.

Cazarim de Beauvoir disse...

ah, sim, a grosseria fica por tua conta.

Felipe Baptista disse...

bem, o que é que você entende por grosseria?

Felipe Baptista disse...

Quero erguer a bandeira branca e pedir desculpas claras.

O erro foi todo meu de não ter, ainda, aprendido a "conviver" com você. Definitivamente falta de um trato mais diplomático à questão.

Tentei discorrer e argumentar mais nesse comentário mas não fui capaz. Não consegui pois tudo me remetia a outras inúmeras conversas que já tive com você sobre esses mesmos tópicos. Achei enfadonho e impactante demais.

De qualquer forma, não vislumbro mais capacidade alguma de discutir. E, voltando ao seu primeiro comentário, respondê-lo-ei:

O que eu entendo por liberdade?
Várias são minhas respostas. Um bom esquema para mapear o que está na minha cabeça quando alguém me faz essa pergunta seria imaginar os vários contextos nos quais eu poderia respondê-la. Talvez numa aula de Direito Constitucional, ou em uma aula de Sociologia, ou até mesmo em alguma matéria da Filosofia. O mais importante aqui é perceber que há mais de um nível de abstração possível para encarar a definição de liberdade. Contudo, para não perdermos tempo - e para que eu não caleje meus dedos com as teclas do teclado - respondo apenas que o termo liberdade que empreguei ao escrever esse post não precisa ser escrutinado, muito menos relativizado. Na verdade, relativizá-lo seria matá-lo. O que eu quis dizer por liberdade aqui seria simplesmente a noção mais rasa que essa palavra pudesse adquirir. Talvez a que você leria na Capricho ou veria nas novelas das oito. Por quê? Porque eu não vejo necessidade alguma, reiterando, de abstrair tal conceito. É basicamente uma questão de apropriação e propriedade: eu percebi o contexto no qual quero usar tal termo, logo o significado do mesmo estará diretamente ligado a tal contexto, no caso que trato no texto, os compromissos e os planos que fazemos durante nossa vida e que acabam por nos prender e castrar-nos a nossa capacidade de sermos livres e podermos correr riscos e mudarmos completamente tais compromissos e planos. E esse, assim como você gosta de dizer, é exatamente o meu silêncio interior. Ou pelo menos uma parte dele.

Ocorreu-me agora que, na verdade, o post anterior seria muito mais adequado a você. Ou o oposto dele, talvez.

Reiterando: me desculpe pela falta de sensibilidade, pois, mais uma vez, meu espírito pentelho, tão ativo esses dias, não me deixou levar a sério sua questão, relativa a um post tão simples e boçal. Por segundos esqueci-me do que era o seu silêncio interior.